colabMOV

Promovemos exercícios de desenho de observação que trazem para os participantes uma abordagem experimental do desenho de modelo vivo, na qual processos prevalecem mais que os resultados em si.
O coletivo colabMOV - Oficina Colaborativa de Modelo Vivo tem promovido desde 2012 vivências que proporcionam a reflexão acerca de técnicas de desenho do corpo humano, promovendo um debate a respeito da imagem dos corpos na cultura visual de nossa sociedade.
Partimos da premissa principal que a experiência artística se torna muito mais completa quando a pessoa tem a possibilidade de experimentar todos os âmbitos nela envolvidos. Desta forma, todos os participantes são convidados experimentar não só com o papel de observador, mas também a posar para os colegas, criando um espaço onde a prática pictórica e corporal se somam e se confundem. Já realizamos oficinas em diversas instituições culturais públicas e privadas da cidade de São Paulo, entre elas o Instituto de Artes UNESP, Praça das Artes do Theatro Municipal, Casa do Povo, SESC Pompeia e Dom Pedro II, entre outros lugares.

Entre 2017 e 2018 realizamos uma série de 52 oficinas no Centro Cultural São Paulo (CCSP), promovendo a experimentação em desenho e a reflexão sobre as questões da representação visual por meio do desenvo de observação de modelo vivo. Ao longo de quase um ano de oficinas semanais no CCSP, criamos um grupo expressivo de participantes que frequentam assiduamente os encontros, acompanhando de forma linear nosso trabalho. Há também aqueles que frequentam de forma pontual, de maneira não menos importante, trazendo um caráter variável e enriquecedor para a nossa dinâmica de oficina.


Juntos, constroem conosco o caminho que a oficina tem trilhado dentro do Centro Cultural São Paulo, em encontros que contemplaram, em média, cinquenta participantes. Todas as oficinas foram gratuitas e abertas para o público em geral. Não é exigida nenhum tipo de experiência em desenho e nenhum tipo de formação teórica prévia, somente interesse pelo tema. Dessa forma, atraímos participantes de diversos contextos, desde os que trabalham com o campo criativo, como as artes visuais, moda, arquitetura, música, design e artes cênicas, mas também muitos participantes cuja formação e profissão não tem nenhuma ligação com a produção artística. A participação de um público não especializado quebra a heterogeneidade entre os participantes e enriquece muito a experiência da Oficina.

TEMÁTICAS ABORDADAS

Entendemos que todos os participantes das colabmov tem potencialidades, e propomos exercícios que ajudem as pessoas a entrarem em contato com seus próprios caminhos. As propostas surgem como provocações para que os participantes pensem as suas necessidades e desejos, disparando reflexões e ressignificações para sua produção artística e para as representações do corpo.

Depoimentos

A representação da figura humana pelo desenho sempre foi uma primorosa arte através dos tempos. No século XX alguns movimentos artísticos com a sua devida importância, derivaram para o abstrato e o geométrico entre outras linguagens, porém a figura ou o movimento figurativista sempre esteve presente no olhar dos artistas. Muitos tabus e preconceitos foram quebrados utilizando esta temática. Eu sempre tive um fascínio pelo gestual da linguagem do corpo “O corpo fala”, as nuances desta linguagem são infinitas, mesmo quando repetimos uma determinada pose. Cada detalhe deste universo que é o corpo – a figura humana com suas particularidades individuais, tem a capacidade de tornar-se uma impressão digital para cada um de nós. Não há dois iguais; as curvas das linhas dos braços, das pernas, do tronco, da cabeça, dos olhos, nariz e boca, dos dedos das mãos e pés, a textura e os matizes da cor da pele, os cabelos...compõem a riqueza de nossa individualidade. Tornamo-nos inteiros quando reconhecemos quem somos, assumindo nossa identidade com o nosso corpo e nossa alma. O lirismo e a poesia desta linguagem sempre encantaram o meu olhar aquecendo o meu coração. Que privilégio observar os sentimentos expressos por vezes em rápidos segundos.

As seções de desenho em que participo na Oficina COLAB MOV, têm preenchido-me de entusiasmo por poder expressar este universo do corpo e sua linguagem.Semanalmente capturo estes efêmeros momentos, em que por 2 ou 3 minutos os modelos vão se revezando gentilmente apresentando-se a mim e ao grupo de desenhistas, reunidos ali para observá-los. A troca de informações e estilos dos mais diversos da representação pictórica, que ao final de cada seção são reunidos e apresentados nos papéis espalhados pelo chão é um momento especial, enriquecedor, espontâneo e festivo. Numa dessas seções passadas, no silêncio da sala que utilizamos durante a oficina ouvi como manifestação de uma “música incidental” o ruído dos lápis e canetas que freneticamente rabiscavam a superfície dos papéis que utilizávamos para capturar a essência do momento em que um modelo posava: uma sinfonia celebrando a vida em sua forma mais natural

Lino Walker

Tive a oportunidade de participar de umas dez oficinas, mais ou menos, e o que eu destaco é a experiência de também posar, além do desafio de desenhar poses rápidas com vários tipos de materiais, alguns até então inéditos pra mim.

Posando percebi que a sensação da passagem do tempo, pelo modelo, é bem mais lenta em relação ao desenhista e que nem tudo que se imagina é possível executar (poses maravilhosas na concepção, mas que esbarram nas limitações físicas). O resultado é que passei a admirar mais o trabalho dos modelos profissionais que conseguem sempre encontrar boas soluções para satisfazer as expectativas dos desenhistas, pintores, escultores... Mas quero destacar que a experiência de posar foi muito agradável. Ficou claro pra mim que tenho boa relação com meu próprio corpo e boa autoestima, pois me senti inteiramente à vontade, mesmo na presença de pessoas que eu não conhecia. Mas é claro que isso só foi possível graças à boa condução dos trabalhos pelas coordenadoras que conseguiram fazer com que o ambiente ficasse confortável para todos, num clima de muito respeito, harmonia e cooperação.

Há alguns anos pratico a atividade de desenho de modelo vivo, mas do modo mais tradicional ou acadêmico com poses longas e desenhos mais elaborados, aplicando os efeitos de luz e sombra, inclusive. Desenhar poses de um, dois, três, ou quatro minutos tirou-me da zona de conforto e obrigou-me a buscar novas soluções e acabar revelando potenciais que eu desconhecia. Isso me abriu novas perspectivas nessa atividade que tanto aprecio: - A representação gráfica da Figura Humana. Seguirei em frente, mas agora vislumbrando maiores e melhores horizontes!

Finalizo então esse breve relato agradecendo às coordenadoras Lídia e Helena, ao CCSP e aos colegas participantes que me propiciaram essa enriquecedora experiência!

Enivaldo Pires

oficina maravilhosa, tem me ajudado a me soltar muito mais e me desprender da ideia de que o desenho tem que ser "perfeitinho". também me ajudou me dando liberdade e segurança pra posar, coisa que nunca fiz antes. pena que acaba hoje espero que retornem logo. Luana Byrk

Mesmo tendo ido em poucos dias na oficina, foram experiências que ajudaram muito. No primeiro dia participei como modelo junto a algumas amigas, algo que nunca pensei que conseguiria fazer. Mesmo que desenhar modelos vivos faça parte do meu cotidiano, não achava que teria coragem de posar sem roupa para um grupo de desconhecidos. Isso fez com que eu enxergasse meu corpo de outro jeito e destruiu barreiras que eu havia criado dentro de mim. Namie Takahashi

Foi a primeita vez q fui na oficina e gostei mto. O ruim é o horário pra quem trabalha, mas sempre q puder voltarei. Gostei mto q vcs pedem pras pessoas colocarem os desenhos no final pra todo mundo ver, achei incrível a arte do pessoal. Gostaria q outros lugares q fazem sessões fizessem o mesmo... Continuem o ótimo trabalho e obrigado pelo trabalho de vcs, ajudam mto na nossa formação como artista. Bom, esses são os desenhos q tenho, ñ sei se são postaveis =), mas taí. Renato Matsumoto

Nunca imaginei que teria coragem para posar e ainda mais sem nenhuma roupa. Foi quando a Oficina Colaborativa me deu essa oportunidade atraves de um ambiente respeitador e com muita seriedade. Muito obrigado a todos organizadores pelos ensinamentos tanto como desenhar e como posar.Neto

A sequência dos trabalhos, partem de minha experiência com a oficina, onde passei a desenvolver um desapego, tanto na construção de uma figura, até a escolha dos materiais que estão fora de minha zona de conforto. Uma preocupação nos desenhos, situaram no gestual do corpo entre as diferentes poses, também à compreensão de sombra e luz. Bruno Alves (@bruno.alves.v)

Desenhos

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Equipe de Mediação

É artista visual, designer gráfica e arte-educadora, trabalhando em projetos interdisciplinares e disruptivos que tem como objetivo trazer novas perspectivas para as áreas da cultura, tecnologia e educação. Fundou a colavmov em 2012 e desde então ministra oficinas em diversos equipamentos culturais e educacionais, públicos e privados, da cidade de São Paulo. Formou-se em Artes Visuais no IA-UNESP, especializou-se em Gestão de Projetos Culturais pela ECA-USP e atualmente é mestranda em Arte Educação do IA-UNESP, desenvolvendo pesquisa sobre a prática contemporânea do desenho de observação de modelo vivo.
Helena Obersteiner
É artista visual, ilustradora e tatuadora, pesquisando constantemente formas de conectar e explorar as possibilidades dos três universos. Uma das formas criadas para isso foi o projeto Tatu de Observação, que consiste em tatuagens freemachine, ou seja, sem nenhum decalque ou estudo, apenas observando objetos. É formada em Desenho de Moda pela Faculdade Santa Marcelina, idealizadora e diretora criativa da marca independente de vestuário ZHOI, quem tem como valores principais a ironia e o conforto. Desde 2013 integra o coletivo COLABMOV, participando como mediadora de diversas oficinas. Atualmente também está concluindo Pós Graduação no curso Marketing e Comunicação de Moda, no IED São Paulo.
PEDRO OGATA é educador graduado em Artes Visuais pela UNESP. Bailarino formado pelo Instituto Brincante, tem pesquisa em dança, sobretudo em danças afro-brasileiras e contemporânea. Trabalha como educador não-formal desde 2013, atuando em diversas instituições culturais, como a Fundação Bienal de São Paulo e unidades do SESC.
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